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01/01/2008 - ANESTESIA EM CHINCHILAS

ANESTESIA EM CHINCHILAS

 

Muito freqüentemente somos consultados por Médicos Veterinários e criadores, sobre a melhor forma de anestesiar uma chinchila. Os trabalhos bibliográficos em nossa língua, pouco ou nada dizem sobre o assunto pelo que, sabedores que somos de que em alguns momentos o criador pode se sentir apreensivo e inseguro, nos encorajou a pesquisar sobre o tema.

 

Analisando os trabalhos sobre procedimentos cirúrgicos, principalmente no capítulo “anestesia” das teses apresentadas a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo para obtenção do título de Doutor em Medicina na Disciplina de Otorrinolaringologia pelos Doutores:

 

Dra. Márcia Sayuri Mourão, “Uma via de acesso ao nervo vestibular inferior em chinchilas” e o,

Dr. Fernando César Ribeiro, “Análise das emissões otoacusticas – produto de distorção – após aplicação de toxina butolínica A (BOTOX) sobre a janela redonda da chinchila”.

 

Publicamos este trabalho aproveitando nossa experiência de mais de três décadas de criação, somadas a algumas das partes das teses onde os autores descrevem o procedimento utilizado com sucesso para anestesiar as chinchilas operadas.

 

PROCEDIMENTO  (Dra. Márcia Sayuri Mourão)

 

A via de administração do anestésico em chinchilas, normalmente é realizada intraperitoneal, subcutâneo, no flanco (entre as costas e o pescoço) ou intramuscular na parte interna da coxa, utilizando uma seringa de insulina 1ml. Uma desvantagem dessas vias de administração é que a liberação do anestésico para o cérebro é muita lenta, necessitando de grandes doses em comparação com a via intravenosa, que cai direto na corrente sangüínea. Esta dose maior resulta numa recuperação mais lenta e neste período o animal pode estar suscetível a hipotermia e conseqüentemente a depressão no sistema cardio-respiratório. Esta complicação pode ser evitada quando utilizamos um antagonista do anestésico.

 

A ketamina quando utilizada em chinchilas, apresenta analgesia insuficiente, a não ser que seja utilizada em grandes doses ou em combinação com outras drogas. Em grandes doses, pode ocorrer depressão respiratória e, por tanto, óbito. Uma combinação muito usada é a ketamina com xylazina. A vantagem e que existe antagonista específico para reverter a sedação/analgesia – atipamezole na dose de 1mg/kg ou yohimbine na dose 0,5 mg/kg ambos injetados por via intramuscular.

 

O jejum pré-operatório na chinchila não é necessário, a não ser que a cirurgia seja no trato gastro intestinal.

 

Outra combinação com ketamina muito utilizada em chinchilas é a acepromazina na dose de 0,56mg/kg (via subcutânea)

 

Para evitar a hipotermia pode-se utilizar uma lâmpada, bolsa térmica ou colchão térmico  sobre o qual o animal deve ser colocado para manutenção da temperatura retal em torno de 37 a 37,5 graus Celsius.

 

Deve-se evitar o uso de álcool em superfícies grandes após a anestesia pela perda que provoca e é recomendável antes da aplicação da agulha  realizar assepsia com providine digermante.

 

Após uma cirurgia prolongada, se não houver grande hemorragia e cauteloso administrar (via subcutânea) soro fisiológico morno, 2 ml/kg.

 

No seu trabalho o Dr. Fernando diz que doses suplementares de cloridrato de cetamina (Ketalar) podem ser administradas, quando necessário, para manutenção de plano de anestesia.

 

Nos artigos consultados, as únicas associações foram:

 

-cloridrato de cetamina (Ketalar) com xylazina (Rompum) volume total = 1 ml/kg sendo a proporção de 2:1 (dois de ketalar e um de rompum.

 

-cloridrato de cetamina (Ketalar)  na dosagem de 36mg/Kg (via subcutânea) complementada com acepromazina (Acepram) na dosagem de  0,56 mg/kg.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

MILLER, J . D.  Audibility curve of the chinchilla. J.  Acoustic Soc. Am., v. 35, p. 1907, 1963

BROWNING, G.G., GRANICH, M.S. Surgical anatomy of the temporal bone in the chinchilla.

Ann. Otol., p. 875-882, 1978

 

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