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10/09/2008 - REPRODUÇÃO - Baixa fertililidade nos machos?

FERTILIDADE E BAIXA FERTILIDADE NOS MACHOS DA CHINCHILA LANÍGERA.

 

 

A fertilidade, definida como a capacidade para deixar descendência, é nos mamíferos mais que a soma do óvulo e o espermatozóide.  Existem inúmeros fatores que podem afetar as estatísticas de concepção, prenhes e parto, possíveis de ser avaliados mediante palpação do útero e ovários, ou mediante uma avaliação espermatologica.

 

Baixa fertilidade nos machos

 

Em criatórios comerciais é comum  percas econômicas  significativas  quando  o rendimento reprodutivo dos machos em reprodução não resulta conforme ao planificado.  As causas e fatores concomitantes que levam a diminuição da fertilidade de um macho são variados.  Estudos realizados em outras espécies de mamíferos aconselham que se devem confirmar ou descartar antes que mais nada os problemas comuns da fertilidade, para logo passar aos de níveis celular ou molecular.

 

A fertilidade de um macho tem sido sempre julgada partindo de sua capacidade de produzir a concepção, prenhes, e nascimento de filhotes vivos.  Pode-se ter um macho que realiza o coito porem não são produzidos nascimentos, ou seja, não há produtos.

 

A diminuição da fertilidade pode resultar de causas agrupadas em duas categorias principais:

 

1. Causas relacionadas ao manejo:

  • Mal estado geral (condição física fraca);
  • Obesidade ou extrema magreza;
  • Infecções bacteriológicas: E. Coli, Estreptococcus, Enterobacter;
  • Doenças transmissíveis sexualmente (DTS);
  • Excesso de atividade sexual: leva dois meses a regeneração do espermatozóide;
  • Problemas do aparelho genital: fimose e parafimose;
  • Desbalanceamento nutricional: certas vitaminas e minerais a menos ou em excesso podem causar problemas.

2. Causas médicas veterinárias:

  • Baixa concentração de espermatozóides normais;
  • Degeneração dos testículos;
  • Câncer nos testículos;
  • Desbalanceamentos hormonais: tiróides, tratamentos com esteroides, supressão de hormônios lutilizantes pelo estresse, baixos níveis de testosterona;
  • Problemas prostáticos, tais como prostatite ou cistite.

Historicamente a fertilidade do macho baseia-se na avaliação do sêmen.  Devido a que foram descritos problemas na ejaculação eletroestimulada, prefere-se a obtenção do sêmen mediante o método manual.

 

O sêmen é normalmente ejaculado em três fases ou frações: a primeira fração é mais clara e carece de espermatozóides; a segunda fração é espessa e abundante nestes; a última fração é constituída do fluído prostático.

 

Cada uma destas frações deverá ser coletada separadamente em recipientes limpos e esterilizados e a seguir realizaram-se as seguintes determinações:

  • Recontagem do número de espermatozóides;
  • Forma dos mesmos: no mínimo 80% devem ser normais;
  • Movimentação: no mínimo 70 % devem ter boa movimentação;
  • PH do fluído seminal;
  • Cor do mesmo;
  • Presença de espermatozóides imaturos;
  • Presença de outras células, tais como  glóbulos  vermelhos, brancos, etc.(a existência de glóbulos brancos – leucócitos – na segunda fração indicariam a existência de uma infecção do testículo ou do epidídimo, chamada orquite  ou epididimite respetivamente; se os leucócitos estão presentes na terceira fração poderá tratar-se de uma prostatite. Finalmente, os glóbulos vermelhos em qualquer das frações é indício de uma próstata inflamada).

O exame continua pelos testículos:

  • Determinar a presença de ambos (descartar criptorquidismo - ausência de testículo no escroto - e monorquidismo - ausência de um deles -);
  • Determinar o tamanho e forma normal (o excesso de gordura corporal pode acumular-se no escroto afetando a termorregulagem);
  • Examinar a pele que forma o saco escrotal, procurando anormalidades de consistência, cor, dureza, etc.

Existindo dúvidas em algum ponto pode-se recorrer a ecografía, que nos permitira apreciar a estrutura interna de forma bem detalhada.

Um grande número de problemas de baixa ferilidade pode ser detectado mediante este exames, porem não todos os casos se correlacionam com dados comprováveis; por exemplo, um macho não fértil pode ter uma recontágem de espermatozoides normais ou um pouco abaixo durante a ejaculação, e ainda fracassar na concepção em condições adequadas de manejo. Por isso resulta útil referir-se as investigações sobre fertilidadde em outros mamíferos, ja que em chinchilas pouco se tem realizado.

Biologia espermática básica

 

O acrosoma é um acúmulo enzimático localizado na cabeça do espermatozóide, que joga um papel fundamental no processo de fertilização.

 

Os espermatozóides devem produzir uma reação acrosómica que consiste na perca de suas membranas externas e posterior liberação das enzimas que constituem sua carga.  Estas enzimas têm um papel ativo na fertilização do óvulo.

 

Porem, antes que o espermatozóide seja capaz de fertilizar o óvulo, como também de produzir a reação acrosómica descrita, este deve seguir um processo de maduração chamado capacitação.

 

Existem métodos de laboratório que permitem quantificar os espermatozoides que tenham sofrido capacitação numa amostra de ejaculação a avaliar.  Esta técnica denomina-se marcação por dupla fluorescência, e consiste no tingido do núcleo e do pacote enzimático da cabeça do espermatoizóide, o que permite obter o número de espermatozóides vivos, mortos, e que tenham passado a reação acrosomatica. Numa ejaculação normal, entre 5 e 30% dos espermatozóides podem estar mortos, e esta técnica permite a quantificação. 

 

Em outras espécies, sabe-se que certas moléculas presentes no óvulo “acionam o gatilho“ para a reação acrosomatica.  A área externa do óvulo é onde o espermatozóide devera encostar-se à primeira interação entre eles.

 

A progesterona, um hormônio feminino normal, também intervém na reação acrosomatica, porem se há comprovado que o excesso deste hormônio anula a reação do espermatozóide (sabotagem feminina).

 

Os experimentos têm demonstrado que os espermatozóides de machos não férteis podem ter defeitos em seus receptores de progesterona ou problemas em seu mecanismo de fixação na região externa do óvulo.  

 

Obviamente, na industria da chinchila, este tipo de investigação ainda resulta inacessível pelos seus custos.  Você pode por outras vias continuar melhorando o rendimento de seus machos reprodutores. Deve basear-se em:

  • Boa nutrição
  • Uma excelente prevenção de doenças infecciosas.
  • Exame periódico do aparelho genital;
  • A eliminação de animais com testículos retidos;
  • A seleção de animais pela prolificidade, como também a de suas filhas e filhos.

Matéria do livro: “The joy of chinchillas”

Tradução: Sérgio Moreno


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