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27/10/2008 - Fisiologia da digestão

FISIOLOGIA DA DIGESTÃO, NUTRIÇÃO ANIMAL E MANEJO ALIMENTAR DA CHINCHILA

 

Por Simone de David Antonio

Zootecnista, Ms em Zootecnia

 

1. INTRODUÇÃO

 

Em relação à reprodução dos animais, uma nutrição adequada vai dar condições de produção de um maior número de filhotes, sendo estes fortes e saudáveis, e também garantir aos reprodutores uma vida reprodutiva mais longa.

 

A nutrição vai auxiliar na saúde animal, pois animais bem nutridos estão menos sujeitas a enfermidades devido a maior imunidades, como a ação de vírus e bactérias, exemplo de pneumonias; problemas de descalcificações (fêmeas de cria); distúrbio digestivos e problemas de tricofagia de causa nutricional (carência de minerais e proteínas).

 

A nutrição também influencia no bem estar dos animais, pois estes vão se sentir confortáveis estando bem alimentados, funcionando como um fator anti-stress.

 

2. FISIOLOGIA DA DIGESTÃO DA CHINCHILA

 

Através do conhecimento do aparelho di­gestivo da chinchila pode-se entender melhor al­gumas particularidades nas suas necessidades ali­mentares, onde:

 

2.1. BOCA

 

Nela se realiza o começo de todo o proces­so digestivo, consta de quatro dentes incisivos, quatro pré-molares e 12 molares. Os incisivos cor­tam as fibras vegetais ou os grãos (no caso os peletes de ração) que logo são mastigados pêlos molares e pré-molares.  Ao mesmo tempo, por re­flexos nervosos são estimulados três pares de glân­dulas salivares (sublinguais. submaxilares e parótidas) assim como muitas glândulas dissemi­nadas na mucosa bucal.

 

Estas glândulas produzem a saliva que não só lubrifica, através da mucina. o bolo alimentar, como também contém a ptialina. principal fermen­to, que ataca o amido começando já na boca sua digestão. As proteínas contidas na ração aqui não são atacadas pela ptialina ou amilase.

 

O bolo alimentar passa para o esófago:

 

2.2. ESÓFAGO

 

Este tem função de conectar a boca ao es­tômago, não tendo função digestiva. Do esôfago o alimento passa para o estômago:

 

2.3. ESTÔMAGO

 

É no estômago que o alimento sofre uma verdadeira transformação ao ser agitado pelas contrações musculares gástricas que faz com que o bolo alimentar se misture com os mucos e enzimas (como o pepsinogênio) e ácido clorídrico, baixan­do o PH e começando aqui a digestão inicial das proteínas. No estômago, o amido não é atacado por nenhuma enzima.

 

Este alimento semidigerido misturado re­cebe o nome de quimo. O quimo passa para o in­testino delgado:

 

2.4. INTESTINO DELGADO (duodeno, jejuno e íleo).

 

Mede mais de 1 m de comprimento e é no duodeno que recebe o suco pancreático proveniente do pâncreas. O suco pancreático é alcalino e contém enzimas como a tripsina que digere as proteínas. a lípase pancreática que age sobre as graxas e as amilases pancreáticas - de grande valor para os animais herbívoros, que hidrolisam o amido. Também contém lactase. maltase, sacarase que convertem os açúcares dissacarídeos em monossacarídeos como a glicose, frutose e galactose - os carboidratos contidos na ração são dessa forma absorvidos (glicose, frutose  e galactose).

 

A chinchila apesar de ser herbívora tem também uma vesícula biliar que armazena e con­centra a bílis que se gera no fígado, servin­do para digestão das substâncias graxas saponifcando-as para sua melhor absorção.

 

2.5. CÓLON

 

Mede 1,80 m e é nele que se dá a absorção da água dando consistência à matéria fecal. Embaixo da desembocadura do íleo (parte principal do intestino delgado) o intestino grosso encontra uma porção chamada ceco:

 

2.6. CECO

 

É tipo um fundo de saco que não tem saída, formando uma bolsa, situada no lado direito do abdómen e se observa quase sem­pre com uma coloração verde. Este segmen­to é muito importante e desenvolvido nos herbívoros (ex. : coelho, cavalo, chinchila). pois aí se produz a digestão da celulose das fibras vegetais, por ação da flora microbiana que, em uma perfeita simbiose com o animal, vivem neste segmento, convertendo-se em um verdadeiro laboratório que pen­de algumas vitaminas (complexo B, C e K ) e aminoácidos fundamentais.

 

A partir do ceco, o intestino grosso ou cólon, vai alargando-se por um trecho para logo se  estreitar numa boa parte do seu trajeto que se vê repleto de matéria fecal já formada, disposta em forma de cadeia que termina finalmente através do reto:

 

2.7. RETO

 

Parte final do intestino grosso, onde tem um esfíncter anal.

 

2.8. ANUS

 

De onde as fezes são expulsas para o exterior.

 

3. TIPOS DE RAÇÃO BALANCEADA

 

3.1. FARELADA

 

Os ingredientes são moídos e misturados para formar a ração, com a desvantagem de formar pó. que pode causar problemas respiratórios nos animais, se no momento de comer aspirarem este pó; maior desperdício por parte dos animais, risco de desmistura da ração no transporte da fábrica até chegar aos animais.

 

3.2. PELETIZADA

 

Os ingredientes da ração são misturados na forma farelada e passam por um mecanismo de prensagem com aquecimento, resultando em peletes de ração; as vantagens se devem: preser­vação do hábito alimentar da chinchila de apanhar o alimento com os membros anteriores para con­sumi-lo, a temperatura e o vapor no processo de peletizacão faz uma pasteurização do alimento, eli­minando microorganismos nocivos, menor desper­dício de ração e vantagem de ter melhor mistura da ração; como desvantagem é o maior custo de pro­dução da ração.

 

4. RAÇÕES COMERCIAIS DISPONÍVEIS NO MERCADO

 

No mercado nacional existem duas marcas ou empresas que trabalham com ração para chinchila, e entre as quais existe uma variação na quantidade de certos nutrientes. Tomando o exemplo da nutrição de frangos de corte, várias empresas produzem suas rações onde a formulação destas não tem variações como no caso das fórmulas alimentares das chinchila; isto quer dizer que ainda não se chegou a um denominador comum sobre as necessidades nutricionais reais desta espécie.

 

5. SUPLEMENTACÔES:

 

FENO: Produzido em várias regiões do Estado do RS. Apresenta problema de variação na qualida­de, armazenamento (calor, absorve umidade) po­dendo formar fungos. Maior desperdício pêlos ani­mais, suja a cama dos animais. A sua vantagem é a preferência dos animais e o preço.

 

CUBOS: Importados de países vizinhos, menor variação na qualidade. Pode ser armazenado por mu período mais longo, menor desperdício, limpe­za - não suja as camas. Desvantagem de ter maior preço e dificuldade de aquisição.

 

 

5.2. AVEIA EM GRÃO

 

Alguns criadores estão utilizando junta­mente com a ração peletizada colocar aveia em grão desaristada ou amachacada (3 partes de ração para uma parte de aveia), como benefício esta aveia vai fornecer mais fibra e um pouco mais de energia, e também atuar como fator anti-stress pois os ani­mais gastam algum tempo descascando os grãos para consumi-los.

 

A única dúvida sobre o uso desta aveia juntamente com a ração é, se não está ocorrendo uma diluição dos nutrientes da ração balanceada, pois o cálculo dos nutrientes da ração (proteína, vitaiminas. minerais, etc.) efeito em função do con­sumo exclusivo de ração por parte dos animais; ocasionando desta forma a ingestão de nutrientes abaixo das necessidades dos animais.

 

5.3. SUPLEMENTO VITAMÍCO E MINERAL

  • AVEIA EM FLOCOS
  • GÉRMEN DE TRIGO
  • FARINHA DE TRIGO INTEGRAL
  • VITAMINAS E MINERAIS (para equinos)
  • LEITE EM PÓ DESNATADO (no inverno)
  • METIONINA

Existem algumas variações de ingredientes na fórmula do suplemento utilizado pêlos criado­res. Mas o objetivo comum é de fornecer energia, fibra, vitaminas e minerais para os animais em re­produção, devido principalmente às fêmeas em lactação e gestação necessitarem de um maior aporte de nutrientes. Garantindo desta forma que haja uma diferenciação na ração destas categorias tão importantes dentro da criação, suplementando estes nutrientes na fórmula básica da ração co­mercial.

 

6. ÁGUA

 

Considerado um nutriente de grande im­portância, tem as funções de solubilização e trans­porte dos nutrientes, termorregulação (regulação da temperatura corporal), proteção de órgãos, lu­brificante (de órgãos que estão em constante fric­ção como a coluna vertebral), auxilia nos sentidos de visão e audição, essencial no metabolismo dos nutrientes.

 

Nos vertebrados a participação da água no corpo é de 65-70%

Um feto possui 85% de água.

Um animal pode perder 50% de sua proteí­na e gordura corporal que não morre, mas se per­der mais de 25%de água do organismo ele morre.

Devido a isto se deve prestar atenção na qualidade da água oferecida aos animais.

 

7. MANEJO ALIMENTAR

 

7.1. FORNECIMENTO DE ALIMENTOS;

 

O ideal é fornecer a ração duas vezes ao dia. em horários fixos, para manter a rotina dos animais, sendo que no período da manhã é feita somente uma reposição e no período da tarde é colocada a porção principal da ração; pois como a chinchila tem hábitos noturnos, é durante a noite que irá consumir mais ração.

 

O suplemento para os animais em cria deve ser colocado logo após a ração no período da tarde, para garantir o consumo integral do mesmo.

 

E a alfafa, em cubos ou feno, fornecida a todos os animais duas ou três vezes por semana, deve ser colocada após a ração, para evitar que os animais consumam somente a alfafa c ração balanceada.

 

Também é importante realizar a lipeza dos comedouros retirando-se sobras de ração, pelo menos duas vezes por semana, pois os animais diminuem o consumo de ração quando esta fica por muito tempo nos comedouros.

 

7.2. CUIDADOS NO ARMAZENAMENTO DOS ALIMENTOS:

 

Armazenar os alimentos em local seco e ventilado, evitando o contato com o solo (absorção de umidade); evitar também a exposição demasiada de luz, pois alguns nutrientes como as vitaminas, se decompõem sob ação da luz, sendo perdidas, principalmente na ração balanceada.

 

7.3. PERÍODO DE CONSERVAÇÃO ALIMENTOS:

  

O período máximo para utilização da uma  ração balanceada deve ser de 30 dias, assim como o suplemento, já que após este período começar a ocorrer a oxidação de alguns nutrientes como as vitaminas, minerais, aminoácidos e gorduras, fazendo com que ocorra uma perda destes nutrientes, alterando a qualidade destes alimentos

 

É importante sempre observar o aspecto dos alimentos antes de fornecê-los aos animais, como presença de fungos, principalmente na alfafa, absorção de umidade, na ração balanceada os  peletes ficam inchados, nestes casos deve-se suspender o uso destes alimentos e substitui-los imediatamente.

 

8. CONCLUSÃO

 

Atualmente nas criações comerciais de chinchila ocorre uma variação na alimentação utilizada, principalmente no caso das suplementações, assim como no manejo alimentar, faz-se necessário chegar-se a um consenso para o maior beneficio dos animais.

 

CONSULTE SEMPRE SUA ASSOCIAÇÃO DE CLASSE  "ACHILA"

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