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16/01/2009 - DESTAQUE: A PELE BEGE

Devido ao aquecimento no mercado internacional na procura das peles beges, estamos recebendo muitas consultas sobre esta mutação e como distingui-las.

 

Trataremos a continuação de esclarecer os novatos sobre a possibilidade de introduzir no seu plantel esta mutação e a maneira mais segura de fazê-la lucrativa.

 

 

AS MUTAÇÕES  BEGES

 

Presentemente, há o bege Tower, o bege recessivo Wellman e o bege recessivo Sullivan.  Alem destes, há muitos outros cujo desenvolvimento não apresentaram progresso acentuado, até esta altura.  Portanto, nos parágrafos seguintes, descreveremos aqueles três beges principais e suas características distintas.

 

- O bege Tower é dominante; portanto, o criador pode esperar obter prole bege na primeira geração, quando acasalado com um Standard.  A cor de seus olhos pode variar de rosa a rubi.  De um modo geral, o bege heterozigótico  escuro tem os olhos mais escuros e o homozigótico, olhos mais claros.  A base da pelagem do homozigótico é um leve matiz de bege com branco, ou quase branco, enquanto o heterozigótico pode ter a mesma base de tons variados, desde alfazema (lavanda) forte até marrom chocolate.

Nos héteros, o véu da cobertura, no dorso, é mais escuro, de modo bem definido, tal qual no Standard, e o véu deve estender-se lateralmente até bem embaixo e também sobre o pescoço.  Os homos, por outro lado, apresentam coloração muito igual, com pouco ou nada, do padrão do véu.

 

- O bege recessivo Wellman é de cor semelhante à do hetero.  O bege Tower pode ser um pouco mais claro, mas não tão claro como muitos beges dominantes homozigóticos.  As orelhas são muito pálidas e têm os olhos da chinchila Standard, preta ou marrom escuro.  Não obstante muitas pessoas encararem esta afirmativa com reserva, permanece o fato de que os olhos da chinchila Standard são pretos ou marrom escuro, dependendo de como e quando se olha para eles.  No bege recessivo Wellman, não notamos a variação na base da pelagem.  Temos que reconhecer que os Standard possuem muitas variações de cor dessa base e isso influencia as mutações.  Como em todos os recessivos, a cor aparece somente quando o animal é homozigótico.  Usualmente não são distinguíveis os portadores de um único gene recessivo de cor.  A principal diferencia fenotípica entre o bege recessivo e o dominante é a cor dos olhos.

 

- O bege recessivo Sullivan  é um bege pálido, com os olhos rosa, claro ou vermelhos.  Quando ao fenótipo, pode ser confundido como bege dominante homozigótico, a não ser que a pessoa  seja bem traquejada no exame de animais.

 

Há boa e má qualidade nos beges do mesmo modo que nos Standard e, portanto, seria inteiramente inoportuno descrever qualquer das linhagens bege como sendo de qualidade inferior à de outra.  Tampouco é adequado julgar toda uma linhagem por um ou dois exemplares, sejam eles bons ou maus.    

 

Também não é justo afirmar que os Standard nascidos de mutações serão sempre fracos. Geneticamente, podem ser de qualidade tão boa quanto a de qualquer Standard, se o criador persistir no esquema de qualidade e criar para qualidade do mesmo modo que para cor.

 

A procura destas peles tem aumentado bastante nos últimos anos, principalmente os super-beges  ou toque de veludo (touch of velvet), que é um bege normalmente nascido do cruzamento de  animais pretos com beges. A característica principal desta mutação é que fenotipicamente a distribuição dos tons é igual ao preto (costas e cabeça bem escura, flancos mais claros em degrade até atingir a  barriga branca), porem na cor “café com leite”.

 

ALGUMAS POSSIBILIDADES DE CRUZAMENTO COM BEGES

 

Os beges heterozigóticos dominantes cruzados com Standard produzem:

50% beges heterocigóticos

50% Standard

 

Os beges recessivos com Standard produzem:

100% fenótipo Standard portadores de beges (genótipo)

 

Os beges recessivos com preto produzem:

50% fenótipo pretos portadores do gene bege.

50% fenótipo Standard portadores do gene bege.

 

Os beges heterozigóticos cruzados com beges heterozigóticos produzem:

25% Standard

50% Beges heterozigóticos

25% beges homozigóticos

 

Os beges homozigóticos com beges heterozigóticos produzem:

50% bege heterozigótico

50% bege homozigótico.

 

Os beges homozigóticos com Standard produzem:

100% beges heterozigóticos

 

Os beges homozigóticos com preto produzem:

50% toque de veludo (Touch of velvet)

50% pretos heterozigotos (pretos homozigóticos não existem)

 

Os beges heterozigóticos com branco produzem:

25% bege heterozigótico

25% branco (de puros até prateados)

25% Standard

25% pink (rosado)

 

Como podemos ver, as possibilidades de aparecimento de novas cores através dos cruzamentos aumentam, na medida que aumentam as mutações envolvidas nos cruzamentos dos beges com Standard ou mutações portadoras destes genes. (Brancos dominantes e recessivos, beges recessivos entre si, pretos portadores, ebony, zaphira, charcoal, velvet charcoal, pastel, etc. etc.).

 

A mutação bege nos permite através dos cruzamentos entre beges o nascimento de chinchila bege homozigóticos, não acontecendo o mesmo com as mutações da cor branco e preto que tem fator letal.  Nos pretos, morre no ventre da mãe e o feto é reabsorvido.  No branco nasce e morre poucas horas após o parto.

 

O criador iniciante deve procurar trabalhar com animais beges de origem conhecida.  Quando adquirir estes animais, deve ter a maior certeza possível de que quem os vendeu lhe dará total assistência, acompanhando o desenvolvimento da nova mutação dentro do seu criadeiro.

 

O cuidado que o principiante deve ter com a combinação dos beges (dominantes ou recessivos) tanto seja com Standard ou pretos puros e, a imensa quantidade de desdobramentos de cores e tons diferentes e principalmente a grande possibilidade de transmissão de genes indesejáveis (avermelhado ou marrom) nos animais puros ou azulados.

 

Historicamente, as experiências de cruzamento com os beges quase sempre acrescentaram nos Standard ou pretos puros uma leve (e algumas vezes muito acentuada) tonalidade avermelhada na cobertura de véu.

 

Não é qualquer criador que pode trabalhar com beges.  Quem quiser fazê-lo, deve conhecer muito bem as varias gerações de ancestrais dos animais que vão ser envolvidos nos cruzamentos.  Não cruze jamais os beges com animais filhos de beges; Isto com certeza acarretará numa acumulação de genes avermelhados nos filhos e netos que é muito difícil e demorada (muitos anos) de eliminar posteriormente.

 

Finalmente podemos afirmar que não é a pele “bege” que garantirá um bom retorno com o preço pago.  A garantia do retorno estará na “qualidade” da pele bege produzida, o mesmo que acontece com as peles Standard e pretas. Também, como nos Standard e pretos os beges tem diversas tonalidades: extra escuros, escuros, médios e claros.  Como sempre os mais escuros obterão maior preço.

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