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02/02/2009 - COMO FORMAR AS FAMÍLIAS

FORMAÇÃO DE FAMÍLIAS

A produção de peles de qualidade não é resultado apenas do acaso ou do simples aparamento dos animais.

 

A formação de famílias destinadas à reprodução de animais de melhor qualidade não é fácil, porém conseguir crias de 1ºqualidades necessita de um bom planejamento, manutenção adequada dos animais e um objetivo definido.

 

Para que reproduzir animais? Para que, através dos cruzamentos, sejam melhorados aspectos tão importantes como a qualidade do pêlo, a produção de leite, as ninhadas, o desempenho de machos e fêmeas, etc.

 

Por onde começar? A baixa mortalidade, a produção de leite, as ninhadas o desempenho de machos e fêmeas, tudo está relacionado de alguma maneira com o ambiente da cabanha. Se estes itens são bons ou ruins, deve-se acreditar que isto se deve apenas às condições de cabanha, e não interferir dentro de uma programação de cria. Leve-se em conta apenas àqueles fatos são reais e não dependem do manejo. Se uma determinada linha de cria tem tendência de produzir pouco leite, a mesma deveria ser eliminada do programa. Mas, se isto é causal, existem alguns métodos para melhorar.

 

Geralmente fala-se muito sobre o desempenho dos machos e das fêmeas, e o tamanho das ninhadas. Deveriam ir para cria apenas machos que dão ninhadas pequenas? O que aconteceria com uma família que produz mais machos que fêmeas?

 

Estes são assuntos que na nossa atividade têm que ser discutidos por todos os cabanheiros sérios.

 

Temos animais de boa qualidade, precisamos manter e melhorar esta característica enquanto procuramos por ninhadas maiores. Para isto é necessário entender como se determina o sexo e o número de crias.

 

O sexo é determinado pelo macho e as ninhadas se formam segundo o número de óvulos produzidos pela fêmea e aqueles que ela conseguir parir, mas isto também recebe o efeito do esperma.

 

Em relação ao sexo, o macho tem esperma que carrega o gene para macho ou para fêmea. O espermatozóide macho é mais rápido, porém o espermatozóide fêmea vive por mais tempo antes de alcançar o óvulo.

 

Quando o esperma do macho é fraco, haverá maior números de crias macho já que esses espermatozóides são rápidos para chegar ao ovo antes de morrer. Um reprodutor saudável produz mais ou menos 50% de machos e de fêmeas.

 

Quanto ao tamanho das ninhadas, um macho com problemas de esperma, devido a problemas testiculares, poderá produzir poucas e pequenas ninhadas porque seus espermatozóides não irão fertilizar todos os óvulos ou porque não será capaz de cobrir a fêmea durante o cio. Mas um cruzamento com um macho saudável que produz ninhadas pequenas pode indicar problemas na fêmea, esta fêmea poderia produzir bom número de óvulos que seriam fertilizados, mas absorveria aqueles que ela não poderia parir com saúde. A facilidade de parir ninhadas numerosas e o número de ovos produzidos também está relacionado com fatos ambientais e genéticos.

 

É muito importante manter machos e fêmeas em boas condições de saúde, não apenas para dar ninhadas grandes, mas para usar este tipo de informação dentro de um plano de cria.

 

O principal objetivo é a qualidade da pele. Isto compreende vários itens.

 

Quais as características que resultam em boas peles? As mais importantes são, em ordem: tamanho, cor, tonalidade, cobertura de véu, densidade, barriga branca e pureza.

 

O criador pode não ser um juiz experiente para criar bons animais, mas deve conhecer as diferentes características de uma pele que incidem sobre o preço das mesmas. Portanto, o criador DEVE SABER O QUE TEM. Por exemplo: se a característica mais importante é o tamanho e, numa cabanha se produzem peles de bom tamanho, porém falta densidade, o primeiro objetivo do plano de cria é de conseguir mais densidade.

 

Use um sistema de graduação confiável. Avalie seus animais, ou pelo menos, procure ajuda se você não está seguro da qualidade dos mesmos. Uma vez que o criador conhece seu rebanho e suas características, tente compara-las com os pais, avós, etc. para tratar de saber o genótipo dos animais.

  • Genótipo: características determinadas através dos cruzamentos, provindas da genética de cada exemplar.
  • Fenótipo: características facilmente reconhecidas diretamente na aparência do animal (Fenótipo = Aparência).

Se o animal possui características comuns com seus antepassados, pode-se dizer que eles se encontram no seu genótipo.

 

Quando alguma característica em particular se percebe facilmente em vários antepassados, pode-se dizer que é dominante:

  • Dominante: é aquela característica que estará sempre presente nos descendentes.
  • Recessivo: não se percebem nos descendentes, a menos que os pais sejam portadores ambos do gene recessivo.

É importante poder apreciar os pais e ancestrais dos animais, assim como a aparência dos descendentes.

 

Uma vez que o criador se familiarize com seus animais e suas características, poderá decidir o futuro deles dentro da criação.

 

Gostaria de sugerir 2 métodos de cria:

  • A formação de um Núcleo de Melhoramento.
  • A formação de um Grupo Complementar de Cria.

Para organizar um núcleo, devem-se selecionar apenas as melhores matrizes da própria criação e cruzá-las com machos de alta qualidade. Estes machos podem vir da própria criação ou serem adquiridos de outra. Esta linha de cria chamada de núcleo produzirá crias usadas como melhoradoras de linha geral ou base.

 

Ao cruzar alta qualidade com alta qualidade, e usando sua descendência no resto da criação, se incrementa a média de qualidade do rebanho mais rapidamente.

 

Na maioria das linhas de alta qualidade existem grupos de animais reservados para melhorar o próprio núcleo. Para melhorar este grupo, adquire-se um macho de 1 ou 2 características especiais para complementar o núcleo. Sua descendência é usada então em todo o grupo do núcleo, o qual efetiva mais ainda a qualidade do rebanho.

 

A existência de tal animal é também usada para diversificar as linhas de sangue quando o parentesco começa a ficar muito próximo.

 

É bom lembrar que um macho se avalia melhor segundo sua descendência, depois pelos seus parentes e, finalmente, pela sua própria aparência.

 

O resto do rebanho se organiza como reprodução complementar aonde vão se cruzar animais que complementem suas características entre si. Por exemplo: um macho com bom véu, mas com pêlo curto terá que ser cruzado com uma fêmea que melhore o tamanho do pêlo. Se ela necessita melhor o véu ele vai complementar esta falha. As crias serão totalmente avaliadas para determinar se o cruzamento deu certo ou não. Em caso negativo, aconteceu que os pais não se complementaram. Reavalie este cruzamento e escolha outros parceiros mais adequados.

 

Parece muito trabalho? Bom, se fosse mais fácil perderia a graça. Organizar este tipo de trabalho é fácil se o criador conhece o que faz. Só que, saber fazer requer estar constantemente verificando e comparando os descendentes com seus parentes, para ver se estamos no caminho certo.

 

Isto é o que a grande maioria dos criadores não faz. Eles apenas couream os piores animais sem reajustar os cruzamentos que os produzem.

 

Concluindo, quero enfatizar que, uma vez que estabelecemos uma linha de cria, ainda há trabalho por fazer, o qual vai ser concluído apenas quando vermos as crias reproduzindo aquilo que NÓS PLANEJAMOS.

 

Estude seus animais, planeje os cruzamentos e depois reavalie. Não use a roleta russa para brincar de criador.


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